Justiça seja feita
TJ-RJ condena casa de shows a pagar R$ 15 mil a cliente por homofobia.
RIO DE JANEIRO - A 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) condenou a casa de shows Riosampa, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, a indenizar em R$ 15 mil um frequentador que denunciou a casa por atitudes homofóbicas. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (27) pela assessoria do TJ-RJ.
A ação foi impetrada em 2006. Segundo o TJ, o autor da ação, homossexual, estava na casa de shows com três amigos e, numa brincadeira com um cubo de gelo, acabou beijando um deles. Por este motivo, segundo o TJ, eles foram abordados por seguranças da casa de forma agressiva, com xingamentos, ameaças e foram expulsos do local, pois, ainda de acordo com o TJ, os agressores disseram que "ali não era local GLS".
O assessor de imprensa da Riosampa, Alberto Aquino, disse que a direção da casa vai cumprir a decisão judicial. Ainda segundo Aquino, o que aconteceu foi um fato isolado causado por um integrante da antiga equipe de segurança e que é totalmente contrário à filosofia da casa, que é frenquentada por membros do movimento GLS.
Já há algum tempo a casa vem orientando tanto os seguranças como os funcionários a receber e a tratar o público GLS sem qualquer discriminação, disse Alberto Aquino.
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Sou da paz!
Jovem gay relata sua dificuldade para entrar na tribo dos skinheads, e luta contra a homofobia nas ruas de São Paulo.
Danilo, 29 anos, defende a luta contra a homofobia nas ruas de São Paulo.
Aos 16 anos, Danil
o se interessou pela cultura skinhead, de suspensórios, coturnos, tatuagens e cabeças raspadas. Entrar nessa tribo teria sido fácil, não fosse por um detalhe: ele é gay.
Eu pensava: não dá para eu falar que sou skinhead porque os caras não gostam de gay, diz.
Naquela época, alguns carecas já ocupavam as páginas policiais dos jornais, com seus ataques a negros.
Mas esses fascistas são minoria, assegura, apesar de ser alvo deles. Ele diz que a tribo cultural surgiu na Jamaica, nos anos 60, e se disseminou com imigrantes que foram trabalhar como operários na Inglaterra, no mesmo período em que o movimento punk também surgia nos subúrbios britânicos.
Ao explicar por que resolveu entrar para esse grupo, diz simplesmente: Skinhead é um cara que gosta de ouvir ska, tomar cerveja e jogar futebol com os amigos.
Hoje, aos 29 anos, ele articula uma das vertentes que ajudou a criar, há dois anos: a Ação Antifascista, que reúne 136 pessoas na rede social Facebook.
O grupo também tem duas lésbicas skinheads, seis punks bissexuais e dois que se definem como assexuados. O restante é heterossexual, mas defende a luta contra a homofobia.
Somos contra qualquer tipo de preconceito e lutamos pelas liberdades.
Eles costumam se reunir em botecos, semanalmente, mas agora terão uma sede própria, com direito a eventos para tentar desmistificar a ideia de que todo skinhead e punk é brutamontes.
Desde que foi criado, o grupo já participou de uma marcha contra a homofobia que ocorreu no fim do ano passado (depois que garotos atacaram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista), de marchas contra o aumento do preço do ônibus, a favor da legalização da maconha e, mais recentemente, esteve na Parada Gay.
Pela primeira vez, eles participaram do evento em grupo, empunhando uma faixa que dizia que punks e skinheads estavam juntos (o que já é raro) contra a homofobia. O ato foi surpreendente para muita gente, que chegou a aplaudir o grupo durante o desfile.
Até policiais se surpreenderam: os membros da Ação Antifascista chegaram a ser enquadrados minutos antes de começar a Parada e foram detidos quando se reuniam para organizar a participação, na quinta-feira anterior.
Em maio, na marcha da maconha que terminou em confronto com a polícia, Danilo quebrou um braço ao tentar fugir de uma bomba de efeito moral. Ficou uma semana internado e, três dias depois de sair do hospital, foi atacado por uma gangue neonazista chamada Front 88.
Hoje ele evita a Galeria do Rock, a rua Augusta, a Paulista e a Liberdade, onde essas gangues se reúnem, por ser alvo fácil: É como se eu andasse com uma setinha: aqui, anarquista, skinhead e homossexual, bata nele.
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Quem são eles?
Campanha na internet convoca heterossexuais a darem depoimentos sobre seus amigos gays.
SÃO PAULO - O GPH - Grupo de Pais e Homossexuais acaba de lançar, com o apoio dos jovens do Projeto Purpurina, uma campanha entitulada Quem são eles?, que vai usar a opinião dos heterossexuais sobre os LGBT como forma de combater a homofobia. A iniciativa é totalmente democrática e pessoas de todo o Brasil podem participar.
A professora e fundadora do GPH, Edith Modesto (foto), explica que o projeto, cujo logotipo foi criado pelo designer Samuca, surgiu após um dos integrantes do grupo ser espancado na saída de uma boate simplesmente por ser homossexual. Esse fato, somado aos atos homofóbicos que têm se dado ultimamente, me fez pensar em uma campanha que ajudasse as pessoas a ver que ser homossexual é uma condição natural e espontânea do ser humano, como ser heterossexual, e nenhum dos tipos de orientação sexual implica em tipo de caráter, bom ou ruim, explica Modesto.
Criminalização da homofobia
Os casos recentes envolvendo homossexuais chamaram a atenção da mídia, e mostraram a necessidade de aprovação de uma lei que criminalize a homofobia no Brasil.
Na opinião de Edith Modesto, o "Estado tem de proteger as minorias discriminadas por pessoas que não só não as respeitam como as atacam covardemente". "O número de assassinatos de homossexuais no Brasil é inacreditável", lamenta a fundadora do GPH. De acordo com relatório divulgado em abril pelo GGB (Grupo Gay da Bahia), 260 homossexuais foram mortos em 2010 (contra 198 em 2009).
Contudo, acredita Modesto, a mídia, principalmente a televisão, tem cumprido com o seu papel de informar e conscientizar para o problema da discriminação contra LGBT. As novelas têm espelhado muito bem as mudanças sociais que estão acontecendo, divulgando-as, conclui.
A campanha Quem são eles? está recebendo depoimentos de amigos de homossexuais, destacando suas qualidades e provando, desse modo, que ser LGBT não é melhor nem pior do que ser heterossexual - é apenas diferente. Para participar é só mandar um depoimento sobre seu amigo LGBT para o e-mail projetoquemsaoeles@gmail.com
O site da iniciativa, o quemsaoeles.tumblr, já está cheio de depoimentos. Lembrando que é preciso colocar seu nome e o tipo de relação que você mantém com essa pessoa homossexual.